
ALGUEM EM BLUMENAU SE LIVROU DE MIM
O casal de baixo tinha hora certa pra brigar. O super fight conjugal começava britanicamente às dez e se estendia até perto da meia-noite. O cara gritava que ia jogar a bunda da mulher pela janela. Eu não conseguia entender como o cara ia jogar a bunda da mulher desacompanhada do que costuma vir junto, em todo o caso, o cara não tinha palavra e nunca cumpria a promessa. Depois de quase duas horas, dava pra ouvir aquela mesma baladinha chata do James Taylor pousando no Stereo. Aí os dois fodiam solenes por uns quinze minutos e era só. Nada demais. Eu morava com uma garota compreensiva que entendia a minha natureza não diligente, por isso ela não se importava com o fato de eu ficar em casa dormindo até mais tarde, lendo revista de sacanagem, batendo punheta, assistindo MTV e ouvindo Bob Marley. Ela chegava à noite do trabalho e a gente se divertia do jeito mais legal possível. Isto é, ela deitava, abria as pernas e dizia qualquer coisa como "Bem vindo a festa". Nas horas vagas, eu bebia. Foi numa dessas noites em que mal havia começado a Sessão das Dez que essa outra garota apareceu. O cara dizia que ia jogar a bunda da mulher pela janela e ela bateu na porta. Era rara, com uma plantinha na mão. Parecia a Valentina do Crepax e eu fiquei imaginando que se as taras fossem as mesmas, seria uma big de uma trepada. Ela entrou pisando numa Carla Perez esporrada. Eu tinha essa mania de ir deixando minhas mulheres de papel caídas pela sala. Eu as usava, depois abandonava. Cafagestão Jece Valadão pré conversão. Ela era amiga da garota que me abrigava. Explicou que a planta era pra ela. Fiquei esperando que o resto fosse pra mim. Perguntou se eu gostava da planta e eu tentei ser gentil dizendo que o meu interesse por botânica se restringia a uma plantinha daquilo que o Planet Hemp costuma alardear que gosta. Eu na verdade preferia meia dúzia de latinhas de cerveja, mas já que ela tinha vindo com a plantinha, tudo bem. Meu poder de persuasão me surpreendeu, descemos até o 24 horas mais próximo e nos abastecemos de algumas latinhas. Ela morava no edifício ao lado do meu e lá fomos nós. Ela começou a me contar sua vida enquanto estralávamos as latinhas. É o preço que se tem que pagar. Eu já tava acostumado. Além do mais, aquela boca valia qualquer história idiota. Me contou sua história triste embalada por um blues de Dona Nina Simone. Eu tomava cerveja e fazia cara de compenetrado. A história era longa e a cerveja tava acabando. Eu começava a ficar preocupado. Educadamente pedi uma pausa pra sacar um lenço e aproveitei para perguntar se não havia nada mais de baixo, médio ou alto teor alcoólico na geladeira. Ela pescou duas keepcooler e eu improvisei minha melhor cara postiça de felicidade. Ouvir a história de uma garota tomando keepcooler não era o que eu chamava de um programão de fim de noite. Tava começando a ficar com vontade de ir pra casa assistir o Jô Onze e Meia. Dispensei a keepcooler e agarrei aqueles ombros. Cravei meus caninos pouco alcoolizados naquele pescoço e a arrastei pré-históricamente para a cama mais próxima. Se eu me lembro bem, houveram algum protestos, beliscões, imprecações e coisas do gênero, mas nada que me impedisse de prosseguir em meu selvagem intento. Ela falava qualquer coisa sobre cavalheirismo e boas maneiras, e eu replicava que ela não havia sido gentil comigo me oferecendo keepcooler. Seus peitinhos pareciam duas perinhas colhidas no pomar da Vovó Donalda. Se houvesse um bom estoque de bebidas por perto, eu seria capaz de ficar horas mordiscando aqueles peitinhos, mas a situação era de emergência e eu não podia me dar ao luxo de ficar perdendo o meu precioso tempo com preliminares sóbrias embora devo dizer que aquela boca bem treinada no meu pau quase seria capaz de me transformar num abstêmio contrito. Nunca encontrei outra garota que chupasse tão bem. Algumas garotas gostam de chupar, gostam até mais do que o ato em si. Essa era uma delas. Mas como eu já disse, eu tava sóbrio e com pressa. Que desperdício. Ela era magrinha, pequena, uma delicia e fazia a melhor chupeta da América e eu tava sóbrio. Porra, que sacanagem. Meti sem cerimônia. A tv tava ligada passando Goulart de Andrade. Não é fácil trepar assistindo Goulart de Andrade. Enquanto eu metia, tateava desordenadamente procurando o controle remoto. Ela ficava de olho fechado. Acho que ficava imaginando que era outro cara, um sujeito mais educado. Ia ser inútil perguntar onde ela havia enfiado o controle remoto. Com o dedão do pé, tentei alcançar a tv. Ela gemia baixinho e foi me dando aquele comichão no nariz, minha alergia não tem hora para atacar. Não era o melhor momento pra espirrar. Com o dedão do pé pressionado no Chanell espirrei de dentro dela simultaneamente com o sumiço do Goulart da tela dando lugar a um filme com o Stalone. Aquele que ele é um caminhoneiro campeão de queda de braço. Ela estava estupefata, as mulheres nunca conseguiram me entender. Dei um click definitivo no Stalone e a coloquei de bruços na melhor posição. Ela tinha uma bundinha magrinha, linda e aquela nuca maravilhosa emoldurada por aquele oportuno corte de cabelo chanel. Passei a língua naquele cuzinho lindo e não resisti. Tava sendo quase delicado. Acho que ela tava até gostando. Enfiei devagar o dedo no orifício proibido. Cu de mulher é das coisas mais lindas do mundo. Meti meu pau devagar e assoprei o cabelo dela. Ela enfiou a cara no travesseiro e mexeu devagar o rabo aprovando todo o meu cacete que prontamente mergulhou por inteiro. Ela mexia devagar e foi me dando vontade de fazer mais forte. Velho cafajeste suburbano não marca touca com um cuzinho daqueles a mercê. Coloquei ela de quatro e meti cada vez mais rápido. Era como enrabar a Valentina, Betty Blue e Louise Brooks de uma só vez. Genial. Até esqueci que tava sóbrio. Continuei naquilo até gozar. Saí de dentro dela, vesti minha cueca e sai dali sonhando com uma garrafa de vodka barata na minha geladeira. Quando saí no corredor, ainda ouvi um Miles Davis pousando no aparelho. Pensando bem, era uma ótima garota, um pouco sofisticada demais para suportar alguém como eu, mas uma ótima garota, o problema é que eu tava sóbrio demais pra curtir uma ótima garota. Quando voltei pro meu prédio, uma mulher estava estatelada na calçada xingando um sujeito que estava na janela. O cara havia finalmente cumprido a promessa. Só não havia conseguido jogar apenas a bunda. Eu sabia que ele não conseguiria. Tudo bem, eles moravam no térreo. Sendo assim, apenas o orgulho da mulher estava ferido. Acenei pro sujeito e voltei pro meu apartamento e para aquela vodka. Quanto a garota, ouvi dizer que ela está morando em Blumenau e namora um jornalista que toca bongô. Acho que ela tá legal.
