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ESPAÇO MUTANTE


A COMPANHIA SATÉLITE DE TEATRO ESTREIA NOVO ESPAÇO CULTURAL NO CENTRO DE SÃO PAULO. O INFLAMÁVEL TERÁ SAMBA-CABARÉ, COM NEOVEDETES, MISTURADO A CHANCHADA, TEATRO DE REVISTA E OUTRAS REFERÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS

Após 13 anos de “vida cigana”, como brinca o ator e diretor Dionísio Neto, a Companhia Satélite de Teatro achou um lar. A sede da trupe fica no centro de São Paulo (Rua Maria Borba, 87) e nasce como espaço multicultural, que deve abrigar diferentes manifestações artísticas – além de teatro, que tem um bar interno, entram na pauta shows, oficinas e workshops. O espetáculo de estreia do Inflamável, Olerê! Olará!, já é formado por uma mixórdia de referências, que Dionísio batizou de samba-cabaré. “É engraçado, fizemos nossa primeira peça, por acaso, na pista de uma danceteria, no Columbia [famoso clube paulistano da década de 1990, que abrigou por muito tempo o primeiro after-hours da capital, o Hells Club]. De lá pra cá, foram mais de dez peças e a classe artística conseguiu essa Lei do Fomento, através do movimento Arte Contra a Barbárie, e a Cia. Satélite foi contemplada. A primeira foi há dois anos, quando a gente fez o projeto da Rua Augusta, que se chamava Dois Lados da Rua Augusta, só que continuávamos sendo ciganos, não tínhamos onde guardar cenários, figurinos, e as coisas se perdiam, então pensamos numa sede”, conta Dionísio. “Quando ganhamos a segunda vez, pensamos em montar a sede em um espaço multiuso. A ideia é que aqui haja palestras, shows, oficinas, bar, um espaço bem contemporâneo e internacional, que esteja de acordo com o que companhias de Nova York, Europa e Tóquio fazem. É mais ou menos nesse nível. Não é um teatro, é um espaço mutante. Ele inaugura sendo um cabaré – nos moldes franceses, porque aqui no Brasil você fala cabaré e 90% das pessoas pensam em prostíbulo”, explana ele.
O formato da peça de estreia foi desenvolvido ao longo de anos de trabalho e pesquisa, revela o autor e diretor. “Uma das minhas primeiras peças tinha o título de Opus Profundo. Eu a chamava de peça-festa-manifesto-show, mas não sabia que estava fazendo uma espécie de Teatro de Revista contemporâneo. A gente tinha uma banda, o Max de Castro fazia toda a trilha sonora, tocava na peça, tinha dançarinos. Fui descobrir, com pesquisa, que a televisão vem do Teatro de Revista, e que esses programas de auditório – CQC, Hebe, Trapalhões, Silvio Santos, Chacrinha, o Marcos Mion com o Descarga MTV – copiam muito a sua estrutura. Então, foi a vontade de dialogar com esse tipo de teatro, que não é o teatrão dramático, é mais show, de que eu gosto muito. E as chanchadas também. Quando comecei a ver as chanchadas, fiquei muito impressionado. Como que o Brasil já produziu isso e hoje ninguém mais faz?”, pergunta ele.
“Descobrimos que no ano passado em Paris e Nova York, no top 10 da cultura, estavam os espetáculos de cabaré. Isso anda muito em voga por lá, só que não é cancã, é samba-cabaré ao som de transsambas. Foi o Caetano Veloso quem cunhou esse termo, que é transformar outros gêneros em samba. A gente mistura as vedetes, que são mulheres lindas, que cantam, dançam, representam, têm figurinos absolutamente luxuosos, e falamos de temas universais pela ótica feminina. É um espetáculo bem feminino.”      
AM

 


 


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