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STRIP-TEASE DOS CÂNIONS

 

NO TOPO DA SERRA CATARINENSE FICA UM RESORT QUE VAI DEIXAR VOCÊ E SUA CARA-METADE BEM RELAXADOS. O FRIO E A NEBLINA SÃO ATRAÇÕES À PARTE E AJUDAM A ESQUENTAR O CLIMA    

TEXTO E FOTOS CRIS BERGER


Dezoito. Guarde esse número e ao chegar ao Rio do Rastro Eco Resort, a 1.500 metros de altitude e a 230 quilômetros ao sul de Florianópolis, peça pelo chalé 18. Como em todos os outros, nesse chalé não espere encontrar luxo, mas sim aconchego e todos os apetrechos básicos à vida a dois, tais como lareira aos pés da cama, jacuzzi, velas, DVDs, uma bela carta de vinhos e uma paisagem estonteante. A diferença da cabana de número 18 para as demais é que ela é altamente recomendada por ser a mais privativa – o que se faz ali entre quatro paredes costuma ficar entre elas, sem expectadores indesejados.
Nas madrugadas serranas, o clima é de sensualidade. O silêncio aguça a imaginação e a respiração ganha mais força. O frio ajuda os corpos a se unirem e pede um cálice de vinho. As estrelas são um convite para observar o céu e sentir o frescor da calada da noite do lado de fora do chalé até o corpo ser vencido pela baixa temperatura. É a hora de retornar para dentro e se entregar, sem reservas, à jacuzzi (projetada para casal). Através da parede de vidro, os olhos contemplam o lago em primeiro plano e a silhueta da colina logo atrás. Perto dali estão os cânions, os paredões de granito que dividem a serra do litoral em um salto vertiginoso. A única luz que predomina é a das velas. Mas, se a lua estiver cheia, sua luz tomará conta do cenário e o fará querer cavalgar. Não é um trocadilho. É uma sorte imensa chegar ao resort quando a lua está cheia, pois dá para andar a cavalo à noite. Você simplesmente relaxa e vive aquele momento intensamente. A natureza selvagem, a rusticidade e o isolamento parecem apimentar seus dias longe da civilização.

 


À esquerda, um dos cantinhos do resort bom para namorar, o trapiche que avança no lago. Direita, final de tarde no lago e uma clássica cena de viração

 

VIRAÇÃO

Depois das primeiras horas no chalé entre banhos de imersão, leituras, namoros na sacada climatizada, sonecas e outras atividades na cama repleta de travesseiros e lençol térmico, é hora de investigar o que há além do bem-vindo número 18. Ao chegar ao casarão onde se faz o check in, logo se encontra uma salinha com um armário cheio de DVDs, que podem ser retirados dali quando se desejar. Mais uma olhadinha ao redor e logo se descobre mesas de snooker, alguns aparelhos de ginástica, uma piscina térmica e coberta, e o ouro do resort: uma jacuzzi ao ar livre. Pronto, vá até o balcão do bar e reserve para as 18h mais um momento de relaxamento profundo com direito a sauna (seca ou a vapor) – no inverno esse é o melhor horário, porque o pôr-do-sol acontece lá pelas 18h30, com o Sol morrendo no meio das araucárias num céu rosado quase vermelho, totalmente dramático.
O crepúsculo vai chegando, as estrelas também e sua imaginação esquenta. Frio mesmo está do lado de fora, talvez até uns graus negativos, mas isso não vem ao caso, já que a jacuzzi pode chegar a 37 graus e nenhuma temperatura externa vai incomodá-lo. Junto desse cenário apetitoso, peça por um tinto da Vila Francioni, uma das melhores vinícolas do Brasil, que fica a uma hora de carro dali (vale uma visita) ou quem sabe um Cave Geisse, ganhador de melhor espumante da América do Sul no concurso Vinalies 2009, na França.
Vai ser duro, muito duro sair dali. As horas vão passar, o céu vai ficar negro e a vontade de ficar mais um pouquinho só aumentará. Na hora que a coragem bater, se enrole no roupão bem felpudo e vá para a sauna. Dali para o quarto, para uma troca de roupa rápida, e de lá para o galpão, onde, aos sábados, é preparado um churrasco no fogo de chão, com carne sangrando, gaita gritando e um casal a bailar vestido a rigor como os gaúchos tradicionais do estado vizinho. Os vegetarianos (como a repórter que aqui escreve) podem pedir um risoto, que é maravilhoso. Se estiver com vontade de um jantar romântico, à luz de velas, sem problemas, no restaurante o clima é exatamente esse.
E, para fechar em grande estilo seus dias no topo do mundo, só falta mesmo entrar a viração – dê de bacana e conte para sua cara- metade do que se trata esse famoso fenômeno da natureza que podemos chamar de strip-tease dos cânions. O ar quente do litoral sobe e encontra o frio da serra, e juntos eles se condensam e viram uma neblina espessa que em minutos toma conta de todo o cenário. Ela cobre e descobre os lagos e chalés como que a desnudar a paisagem. Enquanto isso você vai degustando lentamente os dias sossegados e libidinosos nessas paragens do Sul brasileiro.

 


Vista da Serra do Rio do Rastro que serpenteia cânion acima

 

O pôr-do-sol que arranca suspiros e morre junto às araucárias

 


VAI LÁ: RIO DO RASTRO ECO RESORT, RODOVIA SC-438, KM 130, BOM JARDIM DA SERRA, SANTA CATARINA,
TEL.: (48) 3491-2610 E SITE: WWW.RIODORASTRO.COM.BR
QUEM LEVA: WWW.MAKTOUR.COM.BR
QUANTO: R$ 195 POR PESSOA O CHALÉ DO LAGO E R$ 295 O CHALE DA MATA


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