
BIMBO ARTE
AS BIMBO DOLLS DE BORIS HOPPEK SÃO OBRAS ARTÍSTICAS QUE PROVOCAM COM PERSONAGENS E SEUS CONTRASTES COM UM UNIVERSO VIOLENT, SEXUAL, RACISTA E OPRESSIVO
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O alemão Boris Hoppek, 39 anos, é um novato no circuito das galerias de arte e museus, mas é considerado da velha guarda pelo meio da assim chamada street art. Isso porque ele milita no assunto desde os anos 1980, quando tudo era graffiti, e sua atitude bomber – de realizar proezas vistosas em nome das tintas, que na versão brasileira é o espírito conhecido como mentalidade de pichador, um dos denominadores comuns desse meio – se traduz em seu trabalho, e também nas respostas que dá curtas, quase secas, emblemáticas.
Quando o entrevistamos, Hoppek estava atarantado com os afazeres para um convite para participar do Pitctoplasma 2009, o mais importante evento de design de personagens do mundo, realizado anualmente em Berlim. Ele fora chamado por conta de suas Bimbo Dolls, criaturas em que usa como base a fofura que permeia a fugaz toy art para imprimir sua personalidade de grafiteiro. Todos os bonecos possuem genitais e há imagens de Adolf Hitler e de membros da Klu Klux Klan, entre outros. Sempre com a finalidade de fazer crítica social e de costumes, ele gosta de afirmar.
Hoppek, como bom fazedor de brinquedos – e, alguns diriam, mau grafiteiro – lida superbem com essa transa capitalista que o mundão apresenta. Seus Bimbo Dolls viraram garotos-propaganda da campanha alemã da montadora Opel. Recentemente, suas obras ganharam exposição no Brasil, mais precisamente em São Paulo, na Livraria Pop, no bairro de Pinheiros, zona Oeste da cidade.
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TODOS OS BONECOS POSSUEM GENITAIS E HÁ IMAGENS DE ADOLF HITLER E DE MEMBROS DA KLU KLUX KLAN, SEMPRE COM A FINALIDADE DE FAZER CRÍTICA SOCIAL E DE COSTUMES
Ao lado de seus bonequinhos ácidos, também aparec eram vaginas de couro assemelhadas a medusas, a resistentes e peludas estrelas do mar, e desenhos ultrassexualizados, estes gratas surpresas. Ao que tudo indica, desde que começou a lidar mais com sexo em seu trabalho, o alemão encontrou um novo norte. Seus temas, quando dão em fotos de corpos femininos, são imagens refinadas, do tipo que publicaríamos em um ensaio. Por enquanto, o que ele permitiu que dividíssemos com nossos leitores são imagens fechadas de sessões, um ambiente que controla com mão de ferro. Conversamos com ele, por e-mail, enquanto nosunimos no coro de “solta a franga, Hoppek”.
Suas Bimbo Dolls têm genitais. A maioria dos grafiteiros deixa a temática sexual de lado, construindo carreiras com personagens quase infantis. O que te inspirou?
Fui inspirado pela vida. Talvez a maioria dos grafiteiros esteja só procurando um grande contrato com uma montadora de automóveis.
Esse anúncio teve recepção negativa da comunidade do graffiti?
Sim, um pouco por parte dos grafiteiros, mas nada da comunidade dos bichinhos de pelúcia. Estranho, né?
Você sempre trabalha com diferentes materiais. Na série Lavagina trabalhou com pessoas de verdade. Como foi essa experiência? É algo que pretende repetir?
Sim. Eu quero, gostei e tenho que fazer isso novamente. Mas pra mim não é fácil lidar com pessoas de verdade.
