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TÃO LONG E, TÃO PERTO
PARA DESVENDAR OS CAMINHOS E DESCAMINHOS QUE LEVAM AO ORGASMO, ESSA SENSAÇÃO TÃO DESEJADA MAS NEM SEMPRE ALCANÇADA, ELE ELAFEZ UMA ENQUETE COM SEUS LEITORES. NÃO FALTARAM RESPOSTAS SURPREENDENTES

POR JOANA BRANCO
ILUSTRAÇÕES FELIPE GUGA


Alguns especialistas vêem tanta diferença entre o orgasmo no homem e na mulher que essa sensação de plenitude podia até ter nomes diferentes para cada sexo. Eles se excitam principalmente com estímulos visuais, elas são mais olfativas e táteis. Para o homem, gozar é algo certo e inevitável, e quando chega, funciona como um delicioso alívio;para a mulher, o gozo está mais para uma conquista do que para uma certeza. Assim que terminam, eles dormem, enquanto muitas delas choram. Noutras palavras, quando um homem e uma mulher fazem sexo, são mundos diferentes funcionando, e há duas transas onde muitos acreditam haver só uma. No mais, pesquisas recentes já mostram que nem mesmo a resposta neurológica acontece no mesmo local do cérebro:os homens percebem o orgasmo no hipotálamo, enquanto as mulheres, no lobo frontal.

na intimidade Querendo saber se essas diferenças também são tão gritantes e mapeáveis na prática, a revista Ele Ela fez uma enquete em seu site, ouvindo centenas de internautas que se dispuseram a revelar os caminhos que percorrem antes e depois do clímax. O resultado, de fato, mostrou variações substanciais, indo das mais evidentes reações orgânicas às mais finas nuances emocionais. Além disso, comprovou uma variedade considerável de necessidades e formas de prazer entre pessoas do mesmo sexo e idade, indo desde homens que se apresentaram como nada interessados em envolvimento emocional, preferindo conseguir seus orgasmos por meio da masturbação realizada por garotas de programa, até mulheres que dizem sentir-se mais estimuladas com caras que acabaram de conhecer. Entre outras coisas, nossa pesquisa mostra que esse estado de prazer extremo obtido na relação sexual ainda não foi completamente desvendado pela ciência e, menos ainda, por homens e mulheres com a mais declarada experiência no assunto.

O velho orgasmo fingido O mistério - ou o desconhecimento mútuo, para ser mais exato - começa pelo orgasmo do outro. Num recorte de 100 respostas masculinas, 38 afirmaram que suas parceiras têm orgasmo com a penetração. Num mesmo conjunto de mulheres, 28 disseram gozar apenas com o estímulo clitoriano, enquanto outras 10 confessaram fingir orgasmo com uma certa freqüência. Bem, quais são as conclusões possíveis dessa contradição? 1) a maior parte dos homens não identifica um orgasmo feminino; 2) as mulheres simulam a sensação e os homens acreditam; 3) quando o orgasmo ocorre de fato, eles não sabem exatamente como aconteceu; 4) todas as anteriores.

A psicóloga Olga Inês Tessari, especializada em relacionamentos, diz que não é tão comum assim o orgasmo com penetração. "A mulher costuma chegar a esse tipo de orgasmo quando já está muitíssimo excitada por outros estímulos", comenta. Mesmo assim, na enquete, os homens elegeram, disparadamente, a penetração vaginal como a principal agente orgástica, entre concorrentes como "carícias", " estímulo clitoriano" e "sexo oral", esses sim muito mais eficazes para a conquista do indecifrável orgasmo feminino, segundo a avaliação da psicóloga.

Dialogar para gozar A psicóloga ainda afirma que, embora exista uma tendência feminista de colocar esse desencontro na conta da insensibilidade dos machos da espécie, as mulheres contribuem diuturnamente com seu silêncio na escavação do abismo secular que os separa durante o sexo: "Bem ou mal, os homens costumam mostrar para a mulher o que querem na cama:eles a trazem, a puxam, a guiam. Já as mulheres tendem, historicamente, a ficar paralisadas, esperando passivamente a ação masculina, muitas vezes com receio de serem julgadas por seus desejos manifestos".

Dilma Ferreira, de 45 anos, secretária da presidência de uma grande empresa em São Paulo, diz que simulou orgasmos com um ex-namorado durante 12 anos (o tempo exato de duração do namoro). "Depois que a gente finge a primeira vez, cria uma expectativa no sujeito", explica, "aí, se você começa a demorar pra chegar lá numa próxima vez, o cara acha que ele tá com algum problema, fica chateado, e a tendência é que a próxima seja mais desanimada ainda. Também pensava que, se tivesse um orgasmo meu, de verdade, ele poderia perceber que todos os outros eram de mentira". Dilma acredita que o namorado nunca desconfiou, e garante que o relacionamento acabou por outras razões.

A vizinha e colega de profissão de Dilma, que preferiu não se identificar, discorda da estratégia da amiga. "Não acho que quem finge uma vez tem de fingir sempre. Se fosse assim, nenhuma mulher mais podia gozar no mundo, que se entregaria", diz, rindo.

"NINGUÉM MAIS ESPERA UM MILAGRE SEXUAL. SOZINHOS, BEM OU MAL-ACOMPANHADOS, TODOS BUSCAM MAIS E MELHORES ORGASMOS"

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