
Alguns especialistas vêem tanta diferença entre o orgasmo no homem e
na mulher que essa sensação de plenitude podia até ter nomes diferentes
para cada sexo. Eles se excitam principalmente com estímulos visuais,
elas são mais olfativas e táteis. Para o homem, gozar é algo certo e inevitável,
e quando chega, funciona como um delicioso alívio;para a mulher, o gozo
está mais para uma conquista do que para uma certeza. Assim que terminam,
eles dormem, enquanto muitas delas choram. Noutras palavras, quando um
homem e uma mulher fazem sexo, são mundos diferentes funcionando, e há
duas transas onde muitos acreditam haver só uma. No mais, pesquisas recentes
já mostram que nem mesmo a resposta neurológica acontece no mesmo local
do cérebro:os homens percebem o orgasmo no hipotálamo, enquanto as mulheres,
no lobo frontal.
na intimidade Querendo saber se essas diferenças também
são tão gritantes e mapeáveis na prática, a revista Ele Ela fez
uma enquete em seu site, ouvindo centenas de internautas que se dispuseram
a revelar os caminhos que percorrem antes e depois do clímax. O resultado,
de fato, mostrou variações substanciais, indo das mais evidentes reações
orgânicas às mais finas nuances emocionais. Além disso, comprovou uma
variedade considerável de necessidades e formas de prazer entre pessoas
do mesmo sexo e idade, indo desde homens que se apresentaram como nada
interessados em envolvimento emocional, preferindo conseguir seus orgasmos
por meio da masturbação realizada por garotas de programa, até mulheres
que dizem sentir-se mais estimuladas com caras que acabaram de conhecer.
Entre outras coisas, nossa pesquisa mostra que esse estado de prazer extremo
obtido na relação sexual ainda não foi completamente desvendado pela ciência
e, menos ainda, por homens e mulheres com a mais declarada experiência
no assunto.
O velho orgasmo fingido O mistério - ou o desconhecimento
mútuo, para ser mais exato - começa pelo orgasmo do outro. Num recorte
de 100 respostas masculinas, 38 afirmaram que suas parceiras têm orgasmo
com a penetração. Num mesmo conjunto de mulheres, 28 disseram gozar apenas
com o estímulo clitoriano, enquanto outras 10 confessaram fingir orgasmo
com uma certa freqüência. Bem, quais são as conclusões possíveis dessa
contradição? 1) a maior parte dos homens não identifica um orgasmo feminino;
2) as mulheres simulam a sensação e os homens acreditam; 3) quando o orgasmo
ocorre de fato, eles não sabem exatamente como aconteceu; 4) todas as
anteriores.
A psicóloga Olga Inês Tessari, especializada em relacionamentos, diz
que não é tão comum assim o orgasmo com penetração. "A mulher costuma
chegar a esse tipo de orgasmo quando já está muitíssimo excitada por outros
estímulos", comenta. Mesmo assim, na enquete, os homens elegeram, disparadamente,
a penetração vaginal como a principal agente orgástica, entre concorrentes
como "carícias", " estímulo clitoriano" e "sexo oral", esses sim muito
mais eficazes para a conquista do indecifrável orgasmo feminino, segundo
a avaliação da psicóloga.
Dialogar para gozar A psicóloga ainda afirma que, embora
exista uma tendência feminista de colocar esse desencontro na conta da
insensibilidade dos machos da espécie, as mulheres contribuem diuturnamente
com seu silêncio na escavação do abismo secular que os separa durante
o sexo: "Bem ou mal, os homens costumam mostrar para a mulher o que querem
na cama:eles a trazem, a puxam, a guiam. Já as mulheres tendem, historicamente,
a ficar paralisadas, esperando passivamente a ação masculina, muitas vezes
com receio de serem julgadas por seus desejos manifestos".
Dilma Ferreira, de 45 anos, secretária da presidência de uma grande empresa
em São Paulo, diz que simulou orgasmos com um ex-namorado durante 12 anos
(o tempo exato de duração do namoro). "Depois que a gente finge a primeira
vez, cria uma expectativa no sujeito", explica, "aí, se você começa a
demorar pra chegar lá numa próxima vez, o cara acha que ele tá com algum
problema, fica chateado, e a tendência é que a próxima seja mais desanimada
ainda. Também pensava que, se tivesse um orgasmo meu, de verdade, ele
poderia perceber que todos os outros eram de mentira". Dilma acredita
que o namorado nunca desconfiou, e garante que o relacionamento acabou
por outras razões.
A vizinha e colega de profissão de Dilma, que preferiu não se identificar,
discorda da estratégia da amiga. "Não acho que quem finge uma vez tem
de fingir sempre. Se fosse assim, nenhuma mulher mais podia gozar no mundo,
que se entregaria", diz, rindo.
"NINGUÉM MAIS
ESPERA UM MILAGRE SEXUAL. SOZINHOS, BEM OU MAL-ACOMPANHADOS, TODOS
BUSCAM MAIS E MELHORES ORGASMOS" |
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