ORGULHO E PRECONCEITO
Formada
em pedagogia, a empresária Bela diz que hoje entende que o sadomasoquismo
não precisa ter características doentias, pois é praticado também por
pessoas normais e inteligentes das mais diversas áreas, tais como advogados,
juízes e grandes empresários. " A prática transcende o sexo, uma vez que
requer conhecimento prévio, regras básicas e, sobretudo, entendimento
do porquê de ser ritualizado. Para você agüentar a dor, precisa estar
muito concentrado", explica. No mais, as relações têm papéis bem definidos.
Os Dominadores são sádicos e comandantes, e devem descer ao nível do escravo
para elevá-lo. Os escravos são masoquistas e submissos, e têm que tratar
seu Dominador com respeito, prostrando-se, baixando os olhos, e beijando
seus pés quando autorizados a fazê-lo. Um escravo deve saber se portar,
deixar- se amarrar, agüentar as séries de espancamentos leves (áreas próximas
aos rins e articulações são proibidas), e também freqüentar os workshops
(como os Dominadores), onde se ensina, entre outras coisas, como bater, e
onde.
Por tudo isso, Bela diz não entender o preconceito de parte da imprensa,
que costuma associar o BDSM à sátira ou à violência. Por outro lado, "a
personagem Tiazinha (interpretada por Suzana Alves no extinto programa
de Luciano Huck) mostrou o lado bom do BDSM", lembra Bela.
VISITA À MASMORRA
Bela foi iniciada no BDSM como escrava de Bárbara Reine, que é hoje uma
de suas sócias no Clube Dominna. Ela conta que a idéia de criar o clube
foi dela, de Bárbara, de Valquíria Schneider e do ex-marido de Bela, Roberto. Essa
turma já tinha experiência, da época em que dirigia um extinto clube,
cujo nome ela prefere não citar. Ao caminhar pelos cômodos da grande casa
que abriga o Clube Dominna, é possível notar o cuidado que os anos de
conhecimento trouxeram à equipe. Uma das evidências é que os móveis que
decoram o Dungeon Room (a masmorra, "menina dos olhos"do clube) são feitos
pelo próprio Dominna. Ali é o espaço privilegiado da casa, onde os homens
que desejam se tornar escravos podem se submeter a todos os caprichos
de suas belas rainhas dominadoras (veja box). É um quarto com aura de
sala de tortura da Idade Média, com todos os equipamentos necessários
para as práticas, desde mesas especiais com forros e amarras de couro até
estruturas para crucificação ou mumificação.
QUAL É SEU FETICHE?
Mas
nem só de BDSM vive o Dominna. Na verdade, a podolatria é uma das práticas
mais procuradas. As play parties acontecem semanalmente, e o concurso Miss
Feet já vai para sua segunda edição este ano. Essa prática é freqüentada
por moças que cuidam muito bem de seus pés e unhas, os quais são beijados
e adorados pelo grande público. "Mas aqui também tem pés para todos os
gostos: lisos, ásperos, com chulé, com salto", conta Bela. Os lindos pezinhos
fazem performances de Trampling (a dona dos pés adorados caminha sobre
o adorador), e de Crush (apertões com os pés, onde muitas vezes são utilizadas
frutas). "Mas aqui não rola sexo, por isso não temos quartos", esclarece
a empresária.
Outra prática bastante procurada é o Treinamento de Feminização, e o
material de divulgação da casa deixa muito clara sua finalidade:"Muitos
dos slaves têm a fantasia e fetiche de se sentirem realmente mulheres.
Por determinado período, esse sonho é realizado. O Dominna possui um guarda-roupa
diversificado, com vários tipos de vestuário, sapatos de tamanhos diversos,
perucas, bijuterias, meias-calças e tudo o que você precisa para se sentir
realmente feminina. Há um treinamento específico para a postura, como
andar de salto, e fazer uma automaquiagem ".
| O SADOMASOQUISMO
É UM CONJUNTO DE ARTES ERÓTICAS ALTAMENTE REFINADO E MILENAR.
FAZ PARTE DA PSIQUE HUMANA DESDE O INÍCIO DAS PRIMEIRAS SOCIEDADES"
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