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GOLFE É POP
O APARENTE ESNOBISMO DO JOGO ESCONDE PRAZERES QUE VÃO DESDE VIAGENS PARADISÍACAS ATÉ O DESAFIO DE DOMINAR A DIFÍCIL ARTE DO SWING. E O MELHOR DE TUDO: ESTÁ CADA VEZ MAIS BARATO JOGAR NOS CAMPOS BRASILEIROS

POR MARCO FRENETTE
FOTOS LEVI GREGÓRIO


Aprincípio, parece muito simples. Basta pegar um taco qualquer, entrar no gramado, mirar a bola e cacetá-la rumo ao buraco. Também não aparenta ser uma coisa muito divertida. Na verdade, parece ser chato demais, além de ser um negócio de gente velha, esnobe e montada na grana.

Segundo os golfistas, essa visão que a maioria dos brasileiros tem do golfe é distorcida: não é um jogo fácil, não é monótono, não é muito caro e é jogado por pessoas de várias classes sociais e idades. Prova disso seria sua incrível aceitação mundial. São 80 milhões de jogadores, dos quais 30 milhões apenas nos Estados Unidos, onde há mais de 30 mil campos. No Brasil, ainda são somente 20 mil praticantes em uma centena de campos. Mas é um cenário em mudança, pois a cada dia surgem novos adeptos , num crescimento anual de 15%.

O profissional brasileiro Alex Leite em ação: jogo com mais de 80 milhões de praticantes no mundo

VICIADOS EM SWING
Uma parte desse crescimento se deve à própria sedução do esporte. Ele exige tal nível de concentração, técnica e lógica estratégica , que facilmente torna-se um "vício". O praticante quer sempre mais, e se alegra com cada melhora em seu swing, a difícil arte de balançar o taco com suavidade e ritmo. "Comecei meses atrás, a convite de um amigo. Ao fazer os movimentos, vi que precisava desenvolver habilidades físicas e mentais muito específicas. Foi uma novidade total, e me apaixonei pelo desafio", diz o vendedor de carros Rogério Souza. "Quem se inicia no jogo costuma passar por três fases: primeiro, acha que é fácil bater na bola;depois, ao errá-la inúmeras vezes, fica com a impressão de que é impossível;por fim, vem o prazer de ver a bola voar longe e alta pela primeira vez, o que é uma experiência ímpar", resume José Reis, presidente do clube Champs Privés, na cidade de Campo Limpo Paulista.

O CUSTO DO PARAÍSO
Mas, além de todas as qualidades sedutoras do golfe, o que talvez mais ajude a aumentar o número de praticantes seja o barateamento dos equipamentos e do green fee (taxa para jogar 18 buracos) dos campos brasileiros. Claro que há aqueles só acessíveis aos que podem desembolsar alguns milhares de reais. O campo do Terravista Golfe Club, em Trancoso, Bahia, é um deles. Nele, o jogador faz a primeira volta de nove buracos em ambiente de Mata Atlântica;já os outros nove são jogados próximos à praia, alguns sobre falésias multicoloridas, de onde se vê, do alto, toda a extensão do litoral baiano. Ainda na Bahia, fica o complexo turístico Costa do Sauípe, com um campo também com vista para o mar e greens (local onde fica o buraco com a bandeira) sombreados por majestosos coqueiros. Em Angra dos Reis, há o campo do Hotel do Frade Golf & Resort, com os greens protegidos por rios cristalinos e lagos naturais.

Mas enquanto o brasileiro não puder se divertir nesses lugares, pode ir a outros também interessantes. O Clube dos Quinhentos, localizado entre São Paulo e Rio, em Guaratinguetá, foi construído nos anos 1950 e freqüentado por Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulaurt. É um hotel histórico, com quartos projetados por Oscar Niemeyer, um painel de Di Cavalcanti e projeto paisagístico de Burle Max. Um fim de semana nele, misturando golfe com cultura, sai por R$ 600 para um casal, com green fee a R$ 80. No interior de São Paulo, em Itu, no campo do Condomínio Terras de São José, um dos mais bonitos do país, o visitante pode ter sua primeira aula por R$ 50, e, mais tarde, quando entrar em campo, pagará um green fee de R$ 120. Outra opção no interior de São Paulo, em Araçoiaba da Serra, é o belíssimo Lago Azul Golf Club, com sua sede em estilo colonial e cercada por palmeiras imperiais. Os green fees ficam entre R$ 60 e R$ 120, dependendo do dia.

Se, mesmo assim, o brasileiro ainda sentir um apertozinho no bolso, há campos mais baratos ainda. Quem for durante a semana ao Santos São Vicente Golf Club, pagará R$35 para jogar 18 buracos em fairways (raias) cercados por coqueiros, eucaliptos, paus-brasil, flamboyants e jamboleiros. No fim de semana, o preço sobe para aceitáveis R$ 90. Já o campo do Condomínio Champs Privés, na cidade de Campo Limpo Paulista, tem um traçado todo especial, com distâncias um pouco mais curtas, excelentes para iniciantes, e o green fee não é mortal para o orçamento familiar: R$ 50.


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