E era isso que se esperava do autor do: Festival de Besteiras que
assola o País, o FEBEAPÁ, que persiste em ser atual. E, é claro, do responsável
pela lista das "Mulheres Mais Bem Despidas do Brasil" que ficaram conhecidas
com "As Certinhas do Lalau", A partir de uma das suas frases: "Mais assanhado
do que bode velho no cercado das cabritas" foi escrita a história que
você vai ler agora.
O doutor Juvenal Guedes prezava, acima de tudo, a sua tranqüilidade.
Viúvo, três filhas casadas e genros que ele tinha em pouca ou nenhuma
conta. Homem de posses e de todo o prestígio delas decorrente. O doutor
tinha tudo para continuar o mesmo seguir sossegado dos dias, não fosse
uma febre, um clamor do corpo que ele pensava havia muito subjugado, o
mais antigo desejo do homem: sexo.
Mas o doutor Juvenal não podia simplesmente sair por aí e a arrumar
o primeiro rabo-de-saia que se oferecesse. As filhas jamais permitiriam
que ele fizesse como os outros fazendeiros da região, que ostentavam o
título de doutor como ele, mas continuavam a se portar como os antigos
coronéis. Eles simplesmente traziam alguma caboclinha para casa, em troca
de alguns quilos de mantimentos para as famílias que ficavam felizes e
aliviadas por ter uma boca a menos para alimentar.
Nem nos puteiros e cabarés da região e adjacências, o doutor Juvenal
poderia dar as caras sem que isso fosse notícia e acabasse chegando aos
ouvidos das suas filhas que fariam tal alarde e balbúrdia que acabariam
com o sossego que era tão caro para ele.
Dada a constância do desejo carnal que o fazia readquirir reflexos e
atitudes de tempos idos, o doutor Juvenal resolveu fazer uma viagem para
o Rio de Janeiro, não precisou nem era seu costume dar satisfações. As
filhas cuidaram da passagem de ônibus, de avião nem pensar, a reserva
num hotel, guias da cidade. Mas o doutor voltava a um lugar conhecido
num dos momentos mais felizes da sua vida: a sua Lua de Mel.
O doutor Guedes sabia que o Rio tinha mudado, até a sua pequena cidade
o havia surpreendido com as mudanças, ainda mais uma cidade que ele havia
conhecido há 47 anos, quando ainda era Capital Federal, e hoje se tornara
o principal pólo turístico do País.
Chegou à rodoviária da Cidade Maravilhosa pela manhã, seguiu para o hotel
reservado pelas filhas e depois saiu para um passeio na orla. O doutor
Juvenal Guedes ficou impressionado com a exuberância e a ausência de pudor
das mulheres nas praias. Os biquínis praticamente revelavam mais do que
escondiam a nudez daqueles corpos saudáveis e perfeitos.
Entusiasmado, quase perplexo, ele voltou para o hotel e descansou até
a noite. Um pouco de excitação traía a sua índole amante do resguardo
e do recolhimento, mas a ocasião permitia. Vestiu-se com apuro, pegou
o canivete pica-fumo, separou o dinheiro e foi de táxi para Copacabana.
Percorrendo as ruas de Copacabana de táxi, ele percebeu que as mudanças
favoreciam ao seu propósito. Muitas mulheres se ofereciam pelas esquinas,
e ele teve a certeza de que a sua viagem não tinha sido em vão. Em seguida,
procurou o hotel que ele havia se hospedado com a esposa anos atrás. E
não se surpreendeu ao ver que o hotel agora era uma casa noturna. Entrou
devagar, sondou o ambiente, procurando sinais conhecidos. O mesmo salão
amplo e oval que servia de restaurante, agora servia para outros apetites,
algumas mesas, o balcão do bar na lateral esquerda, e um palco no fundo,
onde acontecia um strip-tease, o tapete vermelho puído e sujo parecia
o mesmo. O doutor Juvenal procurou uma mesa mais discreta e continuou
sondando o ambiente à procura da satisfação do seu desejo.
Aquela atmosfera à meia luz e esfumaçada, com a presença de tantas mulheres
ao redor, quase seminuas, não deixou o doutor Juvenal Guedes à vontade.
O tesão se foi, e instalou-se o desconforto em alguém tão habituado ao
reduzido convívio com estranhos.
Então o doutor viu uma mulher encostada no balcão que parecia sentir
tanto desconforto quanto ele, cabelos louros e longos, alta, bonita, com
um vestido curto e vermelho. Aí todos os seus incômodos cederam ao desejo
que o havia feito buscar agitação e alvoroço que ele tão pouco prezava.
E, desta vez, o tesão que o doutor sentiu não foi motivado pela fantasia
ou lembranças, mas pela possibilidade real de satisfazer desejos sexuais.
Bastou um olhar e a mulher, lânguida e sensual, veio ao encontro do doutor,
que a recebeu gentil e ligeiramente encabulado.
E antes que ele ficasse ainda mais embaraçado, tentando puxar conversa,
ela mostrou o traquejo da sua profissão milenar: disse que se chamava
Michelle, perguntou o nome dele, de onde ele era e se ele estava a fim
de um programa?
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