Você
não consegue fazer contas um pouco mais complexas sem uma calculadora?
Já perdeu o hábito de decorar o número do telefone dos seus amigos, pois
todos estão na agenda eletrônica? Já se relaciona com mais pessoas pela
internet do que pessoalmente? Então, meu amigo, você está vivenciando
a tomada do poder pelas máquinas em seu primeiro momento. É só o começo:
logo elas vão ficar mais e mais inteligentes, mais e mais poderosas, até
não precisarem mais de nós e nos exterminarem como fizemos com tantas
outras espécies.
Este temor do homem face à sua própria criação não é novidade no cinema,
nem na vida real. Desde "Tempos Modernos" de Chaplin,
o homem produz filmes mostrando o lado ruim da associação homem- máquina.
Ao mesmo tempo que eliminam empregos, aumentam a produtividade. Da mesma
forma que nos tornam mais rápidos, acarretam acidentes mais graves. No
final do século 19, na aurora da revolução industrial, trabalhadores europeus
ensaiaram a primeira revolução antitecnológica que se tem notícia. Atiraram
seus "sabots" (espécie de calçado) dentro das engrenagens das novas máquinas,
avariando-as. Daí o termo "sabotagem", que usamos até hoje.
Até a pouco nos cinema, mas com lançamento em DVD e VHS previsto para
breve, o ótimo "Eu, Robô" revisita este tema e este temor,
já representado por Exterminadores, pela onipresente Matrix, entre outros
vilões mecânicos. O filme, inspirado em uma série de contos produzida
por Isaac Asimov (1920-1992) nos anos 40, se passa em um futuro próximo,
onde robôs já realizam praticamente todo trabalho braçal ou repetitivo.
Os humanos vivem cercados de "escravos" cibernéticos extremamente confiáveis
devido às 3 Leis da Robótica (criadas por Asimov e - até hoje - consideradas
perfeitas):
Um robô jamais pode ferir um ser humano.
Todo robô deve obedecer às ordens de um humano, contanto que estas não
contrariem a primeira lei.
Todo robô deve proteger sua existência, contanto que isso não contrarie
as duas primeiras leis.
Toda esta segurança ameaça vir abaixo quando um robô - diferente de todos
até então - se torna suspeito da assassinar seu criador. Em seu encalço,
Will Smith, um policial tecnofóbico, fascinado por objetos antigos (leia-se
como antigos: tênis modelo 2004, CD player). Destaque para a forma física
do ator, que permitiu que ele mesmo fizesse várias cenas arriscadas. Efeitos
visuais tão bons quanto os de "Minority Report", somados
à direção com o indefectível clima sombrio de Alex Proyas "O Corvo"
e "Cidade das Sombras", fazem do filme um prato cheio
para os amantes do gênero.
Mas se você curte mesmo a linha "Robôs-malvados-querem- nos-dominar",
aí vão duas dicas imperdíveis. A primeira, óbvia: "2001 - Uma Odisséia
no Espaço", de Stanley Kubrick. Já em 1968, com a ajuda do escritor Arthur
C. Clarke, Kubrick nos apresentou HAL, a inteligência artificial que toma
o poder de uma nave nas fronteiras do universo conhecido pelo homem. O
filme, além de ser um marco da ficção científica, questiona o papel da
inteligência - e mesmo da presença - humana no futuro. Curiosidade: substituindo
as letras H, A e L pelas imediatamente subseqüentes, temos IBM.
PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>