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A Revolução Cibernética
por Fabio Mello

Você não consegue fazer contas um pouco mais complexas sem uma calculadora? Já perdeu o hábito de decorar o número do telefone dos seus amigos, pois todos estão na agenda eletrônica? Já se relaciona com mais pessoas pela internet do que pessoalmente? Então, meu amigo, você está vivenciando a tomada do poder pelas máquinas em seu primeiro momento. É só o começo: logo elas vão ficar mais e mais inteligentes, mais e mais poderosas, até não precisarem mais de nós e nos exterminarem como fizemos com tantas outras espécies.

Este temor do homem face à sua própria criação não é novidade no cinema, nem na vida real. Desde "Tempos Modernos" de Chaplin, o homem produz filmes mostrando o lado ruim da associação homem- máquina. Ao mesmo tempo que eliminam empregos, aumentam a produtividade. Da mesma forma que nos tornam mais rápidos, acarretam acidentes mais graves. No final do século 19, na aurora da revolução industrial, trabalhadores europeus ensaiaram a primeira revolução antitecnológica que se tem notícia. Atiraram seus "sabots" (espécie de calçado) dentro das engrenagens das novas máquinas, avariando-as. Daí o termo "sabotagem", que usamos até hoje.

Até a pouco nos cinema, mas com lançamento em DVD e VHS previsto para breve, o ótimo "Eu, Robô" revisita este tema e este temor, já representado por Exterminadores, pela onipresente Matrix, entre outros vilões mecânicos. O filme, inspirado em uma série de contos produzida por Isaac Asimov (1920-1992) nos anos 40, se passa em um futuro próximo, onde robôs já realizam praticamente todo trabalho braçal ou repetitivo. Os humanos vivem cercados de "escravos" cibernéticos extremamente confiáveis devido às 3 Leis da Robótica (criadas por Asimov e - até hoje - consideradas perfeitas):

 Um robô jamais pode ferir um ser humano.
 Todo robô deve obedecer às ordens de um humano, contanto que estas não contrariem a primeira lei.
 Todo robô deve proteger sua existência, contanto que isso não contrarie as duas primeiras leis.

Toda esta segurança ameaça vir abaixo quando um robô - diferente de todos até então - se torna suspeito da assassinar seu criador. Em seu encalço, Will Smith, um policial tecnofóbico, fascinado por objetos antigos (leia-se como antigos: tênis modelo 2004, CD player). Destaque para a forma física do ator, que permitiu que ele mesmo fizesse várias cenas arriscadas. Efeitos visuais tão bons quanto os de "Minority Report", somados à direção com o indefectível clima sombrio de Alex Proyas "O Corvo" e "Cidade das Sombras", fazem do filme um prato cheio para os amantes do gênero.

Mas se você curte mesmo a linha "Robôs-malvados-querem- nos-dominar", aí vão duas dicas imperdíveis. A primeira, óbvia: "2001 - Uma Odisséia no Espaço", de Stanley Kubrick. Já em 1968, com a ajuda do escritor Arthur C. Clarke, Kubrick nos apresentou HAL, a inteligência artificial que toma o poder de uma nave nas fronteiras do universo conhecido pelo homem. O filme, além de ser um marco da ficção científica, questiona o papel da inteligência - e mesmo da presença - humana no futuro. Curiosidade: substituindo as letras H, A e L pelas imediatamente subseqüentes, temos IBM.

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