Jean
Cocteau, Dorothy Parker e Miguel Falabella no mesmo palco. Um encontro
em princípio inusitado. Só em princípio. Em comum, quase tudo. Tanto os
autores quanto suas personagens. Em comum ainda: Christiane Torloni e
José Possi Neto. A parceria atriz-diretor está no seu sexto encontro teatral.
O primeiro monólogo. "A Voz Humana" de Jean Cocteau (1889-1963) abre
o espetáculo. Clima denso. Europa. Anos trinta. Uma mulher, depois de
esperar por algum tempo um telefonema, conversa, enfim, com o ex-amante.
As ligações na época eram realizadas via telefonista e as linhas cruzadas
eram mais freqüentes do que hoje. Sente- se abandonada, solitária mas
finge estar forte, quando na verdade está frágil e largada, literalmente.
A conversa é dura. Dramática.
Dorothy Parker (1893-1967) e seu conto "Um telefonema" entram em cena.
Christiane está loira no estilo de Marylin Monroe nos anos cinqüenta.
Inocentemente frágil, está também à espera da ligação de seu homem. O
tom cômico de Parker se mistura intencionalmente à sua crítica da dependência
feminina da época.
O cenário criado por Jean-Pierre Tortil dá o tom realista ao espetáculo
sem amontoar no palco objetos desnecessários. Os figurinos de Fábio Namatame,
a luz de Wagner Freire e trilha musical de Tunica Teixeira engrandecem
a beleza cênica.
O último texto, "Pour Elise ou Uma Mulher do seu Tempo", escrito sob
encomenda por Miguel Falabella é a modernização, em todos os sentidos,
da mulher, que, salvas tristes exceções, se tornou independente. Ainda
que a maioria não tenha três telefones celulares, como na peça, uma mulher
de quarenta anos, sai do século XX e entra no XXI fortalecida, decidida...
mas também com as responsabilidades desencadeadas por essas conquistas:
tomar conta da mãe, da filha adolescente (essa sim, ainda chora porque
ele não ligou!), dos ex-maridos e ainda tem tempo para sua massagem, suas
consultas com os cirurgiões e esteticistas... e seu amor. Por último,
mas não menos importante, nem menos apaixonada. Apenas menos dependente,
mais sadia.
Nessa terceira cena está também Christiane Torloni no seu melhor "tipo".
A essência da "Jô", personagem que interpretou na novela "A Gata Comeu"
em 1985 sobreviveu, amadureceu mas não perdeu seu tom briguento e muito
engraçado.
A Torloni de hoje é obviamente mais experiente do que há 20 anos. Mas
é ainda mais do que isso. É uma mulher de teatro, empreendedora, inovadora,
sensível e antenada com seu mundo, exterior e interior.
"Mulheres por um Fio" está em cartaz por tempo indeterminado no Teatro
Renaissance, em São Paulo.
TEATRO RENAISSANCE
Alameda Santos, 2.233 Cerqueira César - São Paulo - SP
Sexta 21h30; Sábado 21h; Domingo 19h30
Ingressos R$ 40,00 e R$ 50,00
Duração aproximada 90 minutos
Telefones: 11-3188-4156 / 3188-4151
www.teatrorenaissance.com.br
Recomendada
"A Filosofia na Alcova" Devido ao enorme sucesso, a peça "A Filosofia
na Alcova", escrita e dirigida por Rodolfo García Vázquez, a partir da
obra do Marquês de Sade, prorroga sua temporada por tempo indeterminado.
Marquês de Sade nasceu em Paris em 1740, e seus escritos sempre chocaram
a sociedade, o que fez com que passasse trinta anos em prisões francesas.
Lançada em 1795, a peça mostra a educação sexual da jovem Eugénie de Mistival,
tendo como mestres, Madame de Saint-Ange e Dolmancé, dois dos personagens
mais depravados da história do teatro. As "lições" incluem todos os tipos
de práticas sexuais, com demonstrações práticas sempre coroadas por orgasmos
filosóficos, já que durante todo o tempo os personagens dialogam não só
sobre sexo, mas também sobre assuntos como religião, política e direito.
ESPAÇO DOS SATYROS
Praça Franklin Roosevelt, 214 Consolação - São Paulo - SP
Sexta e Sábado à Meia-noite
Ingressos R$ 25,00
Duração aproximada 90 minutos
Telefone: 11-3258-6345
www.satyros.com.br