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O magnífico sedutor
Entrevista de mentira com respostas de verdade com Pablo Picasso, o mais festejado pintor do século 20

por Gilberto Ungaretti

Ajustamos a máquina do tempo para a Paris dos anos 20, uma época em que a capital francesa era uma festa permanente. Depois de uma cansativa viagem pelo espaço/tempo, encontramos Pablo Picasso, então com 40 anos, no sobrado nº 27 da Rue de Fleurus, o lugar onde os luminares da pintura moderna se reuniam para tomar a bênção da agitadora cultural Gertrude Stein. Com sua pintura revolucionária, o artista espanhol (1881-1973) já era um mito, aplaudido e admirado pela crítica e pelo público. Sedutor incansável, inspirou-se nas mulheres com quem se relacionou para conceber algumas de suas principais criações. Seus romances quase sempre terminaram de forma escandalosa e traumática. A má fama nessa área foi alimentada pela sanha sensacionalista dos próprios familiares. Sua neta Marina Picasso, por exemplo, lançou um livro de memórias em que o avô é descrito como um monstro com as mulheres. Com vocês, Pablo Picasso.

- Sozinho por aqui, Pablo. Esperava encontrá-lo rodeado de amigos e de mulheres.
Não se pode fazer nada sem a solidão.

- Depois de sete casamentos, você ainda não desistiu de procurar a mulher ideal?
Procurar não significa nada. O importante é encontrar.

- No futuro, de onde venho, suas telas alcançam cifras de dezenas de milhões de dólares nos leilões. O que você acha do sucesso?
O sucesso é perigoso. A pessoa começa a copiar a si mesma. E isso é mais perigoso que copiar os outros. Leva à esterilidade.

- É, mas desse mal você não morre. Em 2004, em São Paulo, uma retrospectiva sobre a sua obra está atraindo uma multidão.
Não há, na arte, nem passado nem futuro. A arte que não estiver no presente, jamais será arte.

- Como você explica a eternidade de suas telas?
Um quadro só sobrevive graças aquele que o olha.

"...Cada mulher é um experimento social, pessoal e artístico e por isso eu as destruía, porque só assim podia começar um novo. (...) Em geral estabeleço com elas uma relação de eu domino e você me deixa dominar..."

- Fale-me sobre sua relação com as mulheres. O fato de se chamar Picasso, com todas as conotações que isso implica, teve algum peso para o seu sucesso com elas? Por que os seus romances terminavam de forma escandalosa?
Cada mulher é um experimento social, pessoal e artístico e por isso eu as destruía, porque só assim podia começar um novo.

- Se na arte as suas realizações são quase uma unanimidade, o mesmo não se pode dizer de sua conduta na vida pessoal. Não foram poucos os que lhe descreveram como uma figura cínica e manipuladora.
Em geral todos os gênios são anti-sociais e estabelecem com os demais uma relação de "eu domino e você me deixa dominar".

- Estou pensando em comprar um quadro que combine com o sofá da sala.
O que você me sugere?

A pintura não é feita para decorar apartamentos. É um instrumento de guerra ofensivo e defensivo contra o inimigo.

- Guerra, inimigo... O que você quer dizer com isso?
Eu não pinto a guerra, por que não sou o tipo de pintor que, como um fotógrafo, vai à cata de um tema. Mas não há dúvida de que a guerra existe nos meus quadros.

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